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Esta blogueria de moda aqui está sofrendo.
Nada grave. Mas incomoda.
Sabe aquela angústia pré-criação? Pré-insight? Bem, quem tem algum tipo de atividade que requer o mínimo de inspiração deve saber do que eu estou falando.
Acontece que está muito, mas muito mesmo, difícil blogar! Alguma coisa aconteceu. O Sério, Moda? precisa mudar. De novo.
Vamos recapitular.

Quando eu, Jodie, comecei a escrever sobre moda, não tinha praticamente nenhum background teórico. O pouco que sabia era aquilo, de uma observadora curiosa.
Sabe quando você saía correndo pra ver a matéria de moda do Jornal Hoje? Ou quando ficava dias vendo e revendo o caderno especial do SP Fashion Week do Estadão? Então, essa era eu.
Fora toooda essa informação, minha noção de moda vinha da prática – tentativa e erro, saca? Mais erro que acerto, creio eu hoje. Mas ninguém pode dizer que eu não tentava! E que, mesmo errando, conseguia imprimir algum estilo pessoal, algo que me destacava – sutilmente – da multidão (não é essa umas das nossas metas em frente ao espelho?).
Hoje, quando penso em alguns deslizes que foram cometidos no meio desse meu caminho fashion, não sei se me orgulho ou me envergonho.
Adorava usar tênis preto – quando todo mundo usava modelos brancos – acertei? Mmm, talvez não devesse ter usado coturno com pantalona black – no trabalho…
Bem, ao começar a escrever sobre moda, meu movimento natural foi começar a ler mais sobre moda. Assinei uma publicação profissional de moda e… descobri a roda – no caso, descobri as tendências do próximo verão quando o atual mal começava.
É, a coisa perde um pouco a graça quando você descobre como é que as revistas de moda conseguem antecipar nossos desejos.
Mas, tudo bem – eu ainda tinha uma missão. Minha ideia era democratizar a informação de moda. Com zero de afetação. Ainda tenho isso em mente, porque as publicações/referências na área continuam a falar apenas para pessoas que podem pagar R$ 300 numa camiseta.
Embora hoje eu entenda que esse “valor agregado” faz parte do jogo. É porque eu e você não podemos comprar essa camiseta, a não ser quando uma versão dela chega naquela fast fashion que fica do ladinho do seu trabalho, que a roda da moda não pára de girar, nunca.
Porque é a partir do momento em que eu e você podemos ter a tal camiseta, que os ricos & famosos não querem mais usá-la, e vão procurar a próxima “it-T-shirt” do momento.
De qualquer forma, com quase 4 anos de blog, meu conteúdo e minha visão se ampliaram muito. Fui estudar também – justamente isso, Pesquisa de Tendências (ou “cool hunting“). Ah, porque nesse meio tempo, algo inusitado aconteceu – os blogs de moda adquiriram poder.
Blogs de moda têm poder
Pois é. Seu blog, junto com os zilhões de outros blogs de moda, começaram a reverter esse processo de geração de tendências. Hoje é a sua forma de se vestir que influência os criadores.
Claro que, no começo, todo mundo chiou um pouco – vi estudiosos de moda darem um pulo – literalmente – ao serem questionados sobre o poder dos blogs de moda.
Vira e mexe alguma editora de moda bam-bam-bam ainda faz pouco da gente. Mas isso só reforça a rebelião fashion que veio de baixo – de quem, até pouco tempo atrás, era o elo final na cadeia de consumo de moda.
Ponto para nós, meninas.
Mas, e a crise do Sério, Moda?
Bem, diante nesse novo cenário, como fazer a diferença?
A parte “democratizar” do meu plano foi concluída (não só por mim, claro – esse movimento não foi só meu). Já a parte “afetação zero“, não sei não. Toda vez que falo de alguma tendência nova me sinto endossando o carrocel que, de início, eu não queria andar.
Assim, olhando para as ruas, me fala, onde é que estão os clogs, o color-blocking, as sobrancelhas apagadas, as bolsas inspired??? Onde é que está essa moda de que a gente tanto fala? E, pior: qual é a importância de tudo isso?
Outra: se lembram da seção “Anti-look da Semana”? Foi muito provavelmente por causa desse tipo de abordagem que o Sério, Moda? foi chamado para participar do programa Login da TV Cultura, por exemplo.
Mas hoje eu sei que as “ovelhas negras” da moda (termo surrupiado da galera do On The Corner) talvez sejam o que há de mais bacana no universo (fashion) – porque essa pessoas têm estilo próprio.
(Será que eu também não era uma dessas, lá atrás, indo trabalhar de coturno?)
No fim, todo mundo comunica alguma coisa quando se veste. Pode ser não ligar tanto pras convenções, ou tendências, ou regras – ou simplesmente não ter dinheiro/vontade de perder tempo pensando nisso!
Eu continuo acreditando que podemos falar de moda de uma forma simples – e bem humorada. Continuo acreditando que moda comunica, e que todo mundo tem o direito de comunicar o que quiser – mesmo que de forma equivocada.
Defendo a ideia de que não há certos e errados – tudo depende. Tudo depende.
Mas, em algum momento, comecei a julgar – e aí está o meu erro. Me perdi. Vamos recapitular, Jodie?
